sexta-feira, 22 de junho de 2018

Copa na Rússia: Rostov, “a Porto Alegre russa”


Caros leitores, peço desculpas pelo longo intervalo entre postagens. Cheguei à conclusão de que a Copa do Mundo é uma versão anabolizada das competições universitárias brasileiras, mas para homens de meia idade em vez de jovens universitários. As comemorações dos últimos dias foram muitas, e faltou energia para mais postagens. Mas cá estamos, de volta em São Petersburgo!

Na véspera do jogo do Brasil, embarcamos em uma viagem de trem trem de 12h de duração para Rostov. Apesar da pouca distância, cerca de 550km, o caminho atravessa as montanhas do Cáucaso e a composição não passa de 60km/h nos momentos mais rápidos. Para piorar, as paradas são muito longas. Mas os bilhetes foram gratuitos, e o trem era novíssimo, com uma excelente cabine, camas confortáveis e vagão restaurante.

Após uma noite sem dormir (no trem, nos unimos a um grupo de torcedores brasileiros e russos e acabamos com a cerveja do trem, que a tripulação teve que repor durante uma parada em Krasnodar), seguimos para o primeiro jogo da seleção na Copa.

Nosso estado chegando em Rostov
Rostov é uma cidade industrial às margens do rio Don, com um centro muito bem cuidado e arborizado, e uma periferia não tão animadora. Tivemos a chance de conhecer uma krushchyovka (хрущёвка), complexos residenciais construídos durante o regime comunista. Não queiram saber como chegamos lá, o que importa é que saímos com vida.

Para o jogo, eu e meu irmão nos vestimos a caráter, o que dificultou muito tirar fotos. Em compensação, muitas fotos nossas foram tiradas. Era difícil andar pelas ruas ou a caminho do estádio uma vez que as fotos dos transeuntes começavam. Os russos estão impressionados e muito animados com a Copa (ainda mais com a surpreendente performance do time da casa), e qualquer estrangeiro um pouco mais paramentado já é motivo para parar e fazer um selfie. O clima de festa e união em dia de jogo é, sem dúvidas, a parte mais gostosa da Copa do Mundo.
 
Eu e meu irmão (talvez nessa ordem)
A chegada ao estádio foi muito bem organizada (como, de maneira geral, está sendo tudo na Copa até agora), sem filas nos portões e com a principal ponte da cidade fechada para o tráfego de pedestres. Diferente do jogo Portugal x Espanha que acompanhamos, dessa vez havia muita fila nos bares, mas nada diferente do esperado em um jogo de Copa do Mundo com muitos brasileiros nas arquibancadas.

Por do sol no estádio de Rostov
A partida em si foi como foi: uma Suíça fechada e marcando bem, o Brasil com dificuldade para criar depois de 30min de jogo, e o gostinho de derrota com o empate. Os suíços no estádio, em compensação, estavam muito animados com a performance do time e as possibilidades que se abrem.

Agora é torcer para o Brasil ganhar as próximas partidas e o bolão voltar à normalidade, porque os resultados até agora parecem distantes do esperado pela maioria (exceto pelo vidente Ricardo Mello). A esperança é que o time acerte o jogo contra times mais fechados, despache logo a Alemanha nas oitavas de final e traga pra casa a taça.

Bom jogo a todos hoje!


BONUS PICTURE: o pneu da van que nos levou de volta a Sochi furou no meio do caminho e, além de lidar com o problema da roda, o pobre do motorista russo ainda teve que aguentar quatro brasileiros dando pitaco em português.


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