Caros
leitores, peço desculpas pelo longo intervalo entre postagens. Cheguei à conclusão
de que a Copa do Mundo é uma versão anabolizada das competições universitárias
brasileiras, mas para homens de meia idade em vez de jovens universitários. As
comemorações dos últimos dias foram muitas, e faltou energia para mais
postagens. Mas cá estamos, de volta em São Petersburgo!
Na véspera
do jogo do Brasil, embarcamos em uma viagem de trem trem de 12h de duração para
Rostov. Apesar da pouca distância, cerca de 550km, o caminho atravessa as
montanhas do Cáucaso e a composição não passa de 60km/h nos momentos mais
rápidos. Para piorar, as paradas são muito longas. Mas os bilhetes foram
gratuitos, e o trem era novíssimo, com uma excelente cabine, camas confortáveis
e vagão restaurante.
Após uma
noite sem dormir (no trem, nos unimos a um grupo de torcedores brasileiros e
russos e acabamos com a cerveja do trem, que a tripulação teve que repor
durante uma parada em Krasnodar), seguimos para o primeiro jogo da seleção na
Copa.
| Nosso estado chegando em Rostov |
Rostov é
uma cidade industrial às margens do rio Don, com um centro muito bem cuidado e
arborizado, e uma periferia não tão animadora. Tivemos a chance de conhecer uma krushchyovka (хрущёвка), complexos residenciais construídos
durante o regime comunista. Não queiram saber como chegamos lá, o que importa é
que saímos com vida.
Para o
jogo, eu e meu irmão nos vestimos a caráter, o que dificultou muito tirar
fotos. Em compensação, muitas fotos nossas foram tiradas. Era difícil andar
pelas ruas ou a caminho do estádio uma vez que as fotos dos transeuntes
começavam. Os russos estão impressionados e muito animados com a Copa (ainda
mais com a surpreendente performance do time da casa), e qualquer estrangeiro
um pouco mais paramentado já é motivo para parar e fazer um selfie. O clima de
festa e união em dia de jogo é, sem dúvidas, a parte mais gostosa da Copa do
Mundo.
A chegada
ao estádio foi muito bem organizada (como, de maneira geral, está sendo tudo na
Copa até agora), sem filas nos portões e com a principal ponte da cidade
fechada para o tráfego de pedestres. Diferente do jogo Portugal x Espanha que
acompanhamos, dessa vez havia muita
fila nos bares, mas nada diferente do esperado em um jogo de Copa do Mundo com
muitos brasileiros nas arquibancadas.
| Por do sol no estádio de Rostov |
A partida
em si foi como foi: uma Suíça fechada e marcando bem, o Brasil com dificuldade
para criar depois de 30min de jogo, e o gostinho de derrota com o empate. Os
suíços no estádio, em compensação, estavam muito animados com a performance do
time e as possibilidades que se abrem.
Agora é
torcer para o Brasil ganhar as próximas partidas e o bolão voltar à
normalidade, porque os resultados até agora parecem distantes do esperado pela
maioria (exceto pelo vidente Ricardo Mello). A esperança é que o time acerte
o jogo contra times mais fechados, despache logo a Alemanha nas oitavas de
final e traga pra casa a taça.
Bom jogo a todos hoje!
BONUS PICTURE: o pneu da van que nos levou de volta a Sochi furou no meio do caminho e, além de lidar com o problema da roda, o pobre do motorista russo ainda teve que aguentar quatro brasileiros dando pitaco em português.
fair to say, vcs estavam um pouco além de "um pouco mais paramentado".
ResponderExcluir